Roteiro de 8 dias nos Desertos Andinos | Atacama e Uyuni

De olho na altitude, meus amigos e eu fizemos um roteiro de 8 dias nos desertos andinos, do Atacama ao Uyuni, no melhor estilo mochileiro nutella!!

Dos diferentes ecossistemas atacamenhos até as singulares paisagens que nos levam ao maior deserto de sal desse planeta, fizemos os principais passeios da região com conforto, segurança e quase nenhum perrengue!! É que lidar com o mal da montanha – o soroche – não foi mole não, mesmo elaborando um roteiro baseado em aclimatação.

Nosso ponto de partida desse roteiro foi Santiago, onde aproveitamos para conhecer a região do Cajón del Maipo e visitar o lago Embalse el Yeso que fica nos 2500 metros próximos da fronteira andina com a Argentina.

::De carro até Embalse el Yeso e Termas del Plomo: o melhor bate e volta em Santiago::

Devido ao tempo que tínhamos para essas férias, voamos de Santiago até Calama com a Sky Airlines – a low cost chilena que já conhecia desde a primeira visita ao Chile.

O roteiro completo e mastigadinho você confere na sequência !!

 

Dia 1 | Pôr do Sol na Cordilheira de Sal 

Para aproveitar uma manhã a mais em Santiago , chegamos em Calama por volta das 17h, após uma visita com elevado teor alcoólico na vinícola Undurraga – que super indicamos!!

A paisagem  dos andes surpreende durante o voo, revelando um pouco do deserto e dos salares. A dica é ir sentado nas fileiras da direita!!

A Licancabur – transfer contrato – já nos aguardava no saguão. Efetuamos o pagamento já da ida e da volta e depois de quase uma hora de espera por outros viajantes pegamos a estrada rumo ao deserto em uma confortável e espaçosa van.

Nosso caminho até San Pedro de Atacama foi em si um passeio, com direito a duas paradas panorâmicas, uma delas no mirante da Cordilheira de Sal,  para assistir um pôr do sol espetacular que coloria o céu com tons alaranjados. Algo que voltaríamos a testemunhar outras vezes durante esse roteiro.

Não sei se as paradas são praxe ou se o motorista se encantou com o pôr do sol. Na dúvida, pode ir com a Licancabur e desembarque ao final da tarde. #ficaadica

Após nosso check in no Parina Atacama Apart Hotel, a quem devemos múltiplos agradecimentos por tantas gentilezas, fomos conhecer a Caracoles que é a rua principal da cidade. Por lá as coisas começam a fechar por volta das 20h e 21h, exceto restaurantes.

Segunda parada do transfer para ver o sol se pôr.

 

Sobre a Cordilheira de Sal, as primeiras impressões do deserto.

Dia 2 | Termas de Puritama e Valle de La Luna

Logo cedo, por volta das 7h30, o pessoal da Whipalla Expedition foi nos buscar na porta do hotel. Fechamos alguns passeios com eles devido às avaliações do nosso “guru” tripadvisor e porque o preço é bastante competitivo quando você reserva mais de um tour.

Pela manhã fomos relaxar nas piscinas  Termas de Puritama. E esse passeio, que confesso, subestimei, foi um dos melhores!!

As Termas de Puritama são um conjunto de oito piscinas naturais com temperatura em torno de 30ºC que se conectam por riachos e cascatinhas. M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O!

Optamos pelo tour matinal, que é um pouco mais caro que o vespertino ( até agora não entendi isso…). No caminho, o guia da Whipalla fez uma parada em mirante e nos deu uma verdadeira aula sobre geologia e cultura dos povos andinos. Aprendemos sobre as cordilheiras, os vulcões, sobre a formação dos desertos de sal, sobre a economia chilena e a cultura inca.

Retornamos para San Pedro por volta das 14h e ,à tarde, às 16h, saímos novamente com a Whipalla para uma aventura no Valle de La Luna.

Geralmente os passeios pelo Valle de La Luna incluem o Valle de La Muerte, mas nessa opção da Whipalla fizemos só o Valle de La Luna, carregado de emoções.

O Valle é um parque no qual se encontram grandes dunas, formações rochosas e de sal, que em alguns momentos nos levam a imaginar que assim deve ser também a superfície lunar.

Nosso passeio incluiu caminhadas sobre a grande duna, caminhadas pelo interior de uma caverna de sal e o pôr do sol na Pedra do Coyote. Esse dia foi tão divertido que em breve vamos postar um artigo só sobre ele!

Altitude máxima: 3475 m

Piscinas conectadas naturalmente por meio de cascatinhas deliciosas.
Lindo demais esse oásis!
A grande duna no Valle de La Luna.
O Valle de La Luna sob a Pedra do Coyote.

 

Dia 3 | Lagunas Altiplânicas e Piedras Rojas

Neste dia, a Whipalla nos buscou por volta das 8h para um passeio de dia inteiro por um ecossistema completamente distinto do dia anterior. Deixamos de lado o cenário desértico para conhecer lindas lagoas, salares e vulcões.

Escolhemos fazer o tour até as lagoas altiplânicas com o opcional de Piedras Rojas. Costuma ser um pouco mais caro, mas acredite, vale a pena.

Chegamos por volta das 9h na Laguna Chaxa, situada na Reserva Nacional Los Flamencos, onde esperávamos ver centenas desses animais. Não sei o que houve, talvez fosse a época, mas vimos poucas aves.

Tomamos o café servido ali mesmo sob uma baita friaca, e ele – o café – acabou sendo o melhor da Laguna Chaxa.

Na estrada, cruzamos Trópico de Capricórnio onde paramos para termos mais uma aula de geografia e geologia, e é claro, muitas fotos divertidas na estrada.

Alcançamos o Salar de Talar, onde ficam as formações rochosas de origem vulcânica chamadas Piedras Rojas. Aos pés de vulcões e beirando um lago de água verde clara e cristalina, na Laguna Tuyajto, atingimos o ápice de beleza local. Foi lá também que começamos a sentir os efeitos da altitude: um ligeiro cansaço ao menor esforço de caminhada. Não é para menos, o Salar de Talar fica aos pés do complexo vulcânico de Caichinque, a 4000 metros de altitude. Saquei as folhas de coca que compramos na feira da rua Caracoles e sem qualquer instrução, as mastiguei sem parar. Depois de uma boa caminhada em torno do lago, sentia como se minha respiração não fosse suficiente.

Seguimos para as lagunas Miscanti e Miñiques, aos pés de outro vulcão, onde fizemos mais uma caminhada para conhecer as duas lagunas que se conectam no subterrâneo. Dizem que a lava expelida pelo vulcão dividiu a superfície do lago, formando as duas lagunas.

Já eram quase 16h quando o tour seguiu para um almoço delícia na comunidade de Socaire. Foram servidos sopa de legumes de entrada, peixe ou carne acompanhados de arroz, salada e quinoa como prato principal além de bananas como sobremesa.

Nosso dia terminou com uma parada na comunidade de Toconao, no final da tarde.

Altitude máxima : 4260 m

Nossos primeiros flamingos na laguna Chaxa.
Piedras Rojas
A belíssima Laguna Tuyajto.
Laguna Miscanti
Miñiques

Dia 4 | Geysers del Tatio, Lagunas Cejar e Tebenquiche 

Depois de passar pelos 4000 metros de altitude, havia chegado o dia de fazer o passeio mais elevado da programação: Geysers del Tatio.

O dia dos superlativos começou com a Whipalla nos pegando a às 5h20 da manhã, sob temperatura negativa para fazer nosso passeio de maior altitude no Atacama. Enquanto aguardávamos a van, e tremíamos com o frio, muito antes do sol nascer, fomos brindados com um terremoto de segundos, que mais tarde soubemos ter atingido 6.1 na escala Richter.

Esse foi também o dia que experimentamos a maior amplitude térmica. E o dia que começou próximo do -10ºC , alcançou mais de 30ºC ao longo da tarde.

Tomamos o banho mais quente e o mais gelado também. Em El Tatio, depois de conhecer os geysers, relaxamos na piscina geotermal. À tarde, após visitar o Salar de Atacama propriamente dito, tomamos um banho na laguna (geladíssima) que fica ao lado da laguna Cejar.  A laguna cuja salinidade torna impossível afundarmos.

Pela tarde quem nos levou ao Salar do Atacama e às lagunas foi a Grado 10, que tem um ônibus bastante exótico – uma atração à parte!

Mas o ponto alto desse dia, depois de todas essas experiências, foi assistir o sol se pôr na belíssima laguna Tebenquiche, em um coquetel regado a muito pisco sour com a Grado.

Vamos contar mais detalhes sobre esse dia em outro post em breve!! Não percam!

Altitude máxima: 4321 m

Os geysers em El Tatio formam o terceiro maior campo do mundo com esse tipo de ocorrência.

Piscina geotermal em El Tatio.
Banho frio na laguna onde não se afunda.
Laguna Tebenquiche
As cores durante o pôr do sol impressionam nesse passeio.

 

Dia 4 a 7 | Travessia do Atacama ao Salar de Uyuni

Supostamente aclimatados, do quarto ao sétimo dia, fizemos a travessia dos andes com destino ao Salar de Uyuni, na Bolívia, com a Cordillera Traveller. E foi lá que observamos as paisagens mais inóspitas e diferentes de tudo o que, eu pelo menos, já vi por aí.

As paisagens do outro lado dos andes se transformam sobremaneira, e cada hora ficamos mais encantados com o que descobrimos: desertos clássicos de areia, formações rochosas inacreditáveis, lagunas de diferentes tonalidades, vulcões, vida selvagem ( um safári !) e desertos de sal!

Não dá para negar, atravessar os andes é a cereja do bolo que se degusta no Salar de Uyuni!

Fizemos um tour privado, inesquecível, de quatro dias e três noites, com apenas alguns perrengues de origem climática. Nos hospedamos em hotéis confortáveis, com água quente, calefação e jantares deliciosos ( e simples ) – tudo incluído no pacote. Sim, fazer essa travessia sem perrengue é possível, com planejamento e em um tour privado, de preferência.

Nossa travessia com a Cordillera Traveller foi certamente a nossa melhor escolha. O roteiro detalhado com a altitude de cada parada também iremos disponibilizar em breve!

Altitude máxima no primeiro dia: 5000 m

 

Dia 8 | Valle do Arco Íris e Stargazing 

Pretendíamos nos despedir dos desertos andinos com um passeio até o Salar de Tara com o pessoal da Flavia Bia Expedições. Eu, particularmente, tinha uma elevada expectativa com o Salar de Tara, apesar de estar traumatizada com a altitude acima de 4000 metros.

Bom, fato é que a travessia da cordilheira até o Salar de Tara precisou ser abortada devido a uma nevasca no dia anterior ( no início do outono!) que fechara a fronteira com a Bolívia.

A galera da Flavia Bia, que estava em duas vans além do nosso carro, precisou rebolar, mas soube lidar muito bem com a situação. Serviram o café que tomaríamos no salar na estrada bloqueada, enquanto aguardávamos por uma sinalização de que a fronteira fosse liberada – o que acabou não ocorrendo.

O roteiro foi modificado e após um FARTO e maravilhoso café, seguimos para o Valle do Arco Íris. Mais um ecossistema totalmente inusitado na região do Atacama!

Percorremos um cânion com um verde intenso que nem de longe nos fazia lembrar que estávamos próximos de desertos andinos. Visitamos um simpático vilarejo indígena, passamos por formações rochosas de lava fossilizada e almoçamos ao ar livre, cercados por paredões rochosos e coloridos com cinquenta tons de ocre, branco, verde e vermelho: o Valle do Arco Íris.  Parecia que as rochas estavam salpicadas com pedras preciosas que brilhavam, literalmente.Um fenômeno que nenhuma de nossas câmeras conseguiu capturar. O cenário lembra tanto um conto de fadas que até arbustos aromáticos crescem naquele solo.

Os guias da Flavia Bia nos serviram um almoço delicioso regado ao vinho branco. Ficamos muito surpresos com o componente gastronômico do serviço dessa agência. Mas esse almoço só existiu porque esse era para ter sido um tour ao Salar de Tara, que dura um dia inteiro. O tour ao Valle do Arco Íris dura meio dia.

Para fecharmos esse dia, antes de nos despedirmos dos desertos andinos, fizemos um clássico tour para observar o céu mais estrelado das Américas!! Sério, em nenhum lugar você vai ver o céu do Atacama. Devido à altitude, a ausência de nebulosidade e de luzes artificiais, estar em San Pedro à noite, no escuro, é como estar em um planetário. Pela primeira vez, à olho nú, vi a Via Láctea.

Mesmo sendo possível admirar as constelações de qualquer lugar sem um poste de luz por perto, seguimos para um centro de observação astronômico da agência Space, onde na quase completa escuridão, uma dezena de telescópios – alguns gigantes – nos aguardavam. Avistamos ( com certa dificuldade e depois de muita trapalhada nos telescópios ) estrelas, um planeta e uma nebulosa. Além disso, aprendemos um bocado sobre constelações em um tour em língua portuguesa, tomando um chocolate quente.

Neste dia de paisagens de fantasia, fechamos o roteiro com várias estrelas cadentes !!

Altitude máxima: 3500 m

A paisagem no caminho até o Valle do Arco Íris chegou a me impressionar mais que o valle em si.
O vale recebe esse nome pela variedade de cores nas formações rochosas.
Vilarejo típico onde fizemos uma parada.
O almoço, devo confessar, foi o melhor desse passeio um tanto improvisado!

 

  • Todos os nossos passeios estavam reservados desde o Brasil para garantirmos a ordem da aclimatação, no entanto, na rua Caracoles existem dezenas de agências, sendo possível reservar tudo por lá mesmo. 
  • A maioria das lojas não aceita cartão de crédito. Portanto, tenha cash suficiente. Se for preciso, na Caracoles há agencia bancária e caixa eletrônico para saques.
  • A viagem ao Atacama pode ser bem cansativa e nós tivemos pouco tempo entre passeios para almoçar e caminhar pelo centrinho da cidade.
  • Prepare-se para lidar com as temperaturas extremas e vista-se sempre em camadas. Não esqueça os óculos de sol, gorro, viseira ou boné, protetor solar, lubrificante labial e água. Carregue consigo pelo menos um litro em cada passeio.
  • Certifique-se com a agência selecionada se haverá toalhas ou roupões de banho. Sabemos que a Flávia Bia as disponibiliza, mas isso não é o mais comum.
  • Com exceção do tour às Termas de Puritama, neste roteiro, todos os passeios incluíam café da manhã.
  • E o mais importante: procure organizar seus passeios pensando na aclimatação, sobretudo se for atravessar para a Bolívia. 

 

 

 

 

De carro até Embalse el Yeso e Termas del Plomo : o melhor bate e volta em Santiago

De Termas de Chillan a Pucón: um pouco da ruta 5

Como é tentar escalar o vulcão Villarica em Pucón no Chile

 

 

 


 

O Blog Asas Pra Que Te Quero agradece os descontos cedidos pelas agências Whipalla Expedition, Grado 10 e Flavia Bia Expedições e informa que os relatos refletem exclusivamente a nossa experiência.

2 comentários em “Roteiro de 8 dias nos Desertos Andinos | Atacama e Uyuni

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